Carlos era considerado uma pessoa acima da média social, era bonito, tinha um biótipo forte, olhos verde-mel e certo potencial monetário. Vivia em um bairro nobre de Porto Alegre com sua esposa e duas filhas, e levava uma vida tranqüila até aquele dia.
Naquela manhã foi ao escritório como de costume, Carlos era um grande analista financeiro reconhecido pelos maiores empresários e apostadores do estado. Fez o rotineiro, acordou, tomou café, levou as filhas à escola e foi rumo à Avenida Ipiranga, onde se localizava seu modesto escritório.
- Bom dia, Astolfo!
Astolfo era o porteiro de seu prédio.
- Bom dia Seu Carlos.
Carlos chama o elevador enquanto Astolfo chama sua atenção.
- Tem um homem esperando o senhor aí. O senhor sabe muito bem que eu não deixo ninguém passar, mas ele disse que era muito urgente e me convenceu.
- Um homem? Tudo bem Astolfo, tudo bem. Eu resolvo isso.
O elevador chega. Carlos entra indica o seu andar, e parte pensativo.
- Quem seria este homem? Será alguém da polícia Federal? Será algo importante? Pode ser aquele meu primo que mora longe e vem a cada ano pedir dinheiro, ele sempre conta a mesma história e leva alguns de meus dobrões, humpf! Murmurou Carlos.
O elevador estava chegando à luz indicada, Carlos da mais uma olhada no espelho ajeita a gravata bordo, a camisa impecavelmente branca, alisa as calças engomadas. O elevador chega ao destino e Carlos logo se depara com um homem de barba mal feita, camisa entreaberta até o peito, calça jeans surrada.
Apesar de achar o homem um tanto estranho Carlos inicia cordialmente o diálogo:
- Bom dia, procuras por quem?
Quando queria era muito simpático e correto em suas palavras, podendo mudar rapidamente seu vocabulário e humor conforme a situação exigia, mas aquele dia postou-se inútil diante daquela voz grossa e ameaçadora.
- Eu sei de toda a história, e se não quiser que todas as pessoas dessa tua classezinha nojenta e imponente saibam. Você vai dançar conforme a minha música.
Se um dia quiser fazer com que alguém fique a sua mercê, diga exatamente isso, "Eu sei de tudo", todos têm segredos e todos temem seus segredos, alguns poucos outros muito.
E Carlos se enquadrava no grupo dos que temiam muito, ele guardava algo terrível, que poderia devastar sua vida mais rapidamente que um daqueles furacões americanos que arrastam vacas e tratores como se fosse areia.
- Tudo bem é só dizer o que eu preciso fazer. Qualquer coisa. De quanto tu precisa?
O tom da voz de Carlos era tremulo e desconfiado. Arrogantemente aquele homem, que mais parecia uma mistura de Schwarzenegger com voz de Cid Moreira, respondeu:
- Quanto? Muito mais do que você pode conseguir, por isso não quero dinheiro, existem coisas das qual o dinheiro não pode pagar pela satisfação.
Agora Carlos estava apreensivo de verdade, sentiu que não havia engano algum ali, e que realmente aquele homem sabia de sua história.
- É sobre a sonegação? Eu pago tudo que devo.
- Sonegação? Bem, dessa eu não sabia, mas não vou usá-la.
- Então sobre o que é?!
Nesse momento Carlos começava a ficar com um medo fora do normal, e mal sabia que as coisas ficariam piores a partir daquela revelação.
- É sobre seu filho.
Silêncio...
E agora quem será o filho de Carlos? Quem será o misterioso homem de voz grossa? Poderia ele realmente destruir a vida de Carlos? No próximo Casos e acasos!!!
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